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Desfile de Mavericks

16 de nov. de 2008




Uma vibração concomitante entre carros e pessoas tomou conta do sambódromo nesta terça-feira, dia 24 de junho. Na pista, os roncos dos potentes motores dos Mavericks ditaram o ritmo alvoroçado da platéia, que se encantou com a variedade de motores, cores e estilos do lendário automóvel.
Modelos raríssimos, como dois Mavericks Peruas, fizeram parte do desfile. "A presença dessas peruas aqui foi uma coisa excepcional. A gente não vê isso desde os anos 70. Podemos dizer que hoje temos 90% do acervo conhecido de Mavericks Peruas aqui", afirma Paul William Gregson (39), membro da diretoria e conselheiro do Clube do Ford V8 do Brasil.
Desfilaram Mavericks de tudo quanto é gosto, versatilidade que atesta a este carro, desenvolvido pela Ford, a condição de ser um dos mais queridos da história da indústria automobilística. "Uma das grandes vantagens do Maverick é permitir diversas configurações, como, por exemplo, ser um carro de família com motor seis cilindros e quatro portas. O carro pode ser também de uso urbano, com motor quatro cilindros econômico, ótimo para o dia-a-dia. E, claro, se a vontade for de andar mais rápido, um potente motor V8 o torna especial para estradas, respeitando sempre os limites de velocidade", explica Gregson.
Entre as maiores raridades estava um Maverick Borda do Campo MEV de 1977, prata e impecável. Seu grande diferencial é uma pequena janela atrás da porta. Os LDOs, Mavericks 4 e, claro, os GTs, que são os supra sumos da performance e potencia, fizeram parte, de uma forma geral, da linha de carros apresentados.
Gregson, satisfeito com o desfile, destaca três fatores que determinam a importância da realização deste evento para o Clube do Ford V8 e para os apaixonados por Maverick: "primeiro é uma oportunidade de confraternização para os associados do clube, que tiram seus carros da garagem e se divertem. Segundo, é uma troca de informações, pois sempre tem alguma peça que falta ou um detalhe técnico a ser descoberto, e essas respostas você consegue por meio dos amigos. E para todos que compartilham desta paixão, a gente pode mostrar um pouco do mundo do Maverick.

Pequenos revolucionários

14 de nov. de 2008




O último desfile no Autoshow Veículos Antigos e Especiais foi dedicado aos mini e micro carros. Salve a simpatia de todos os modelos que passaram na pista do Anhembi e arrancaram aplausos e sorrisos dos visitantes. A verdade é que é impossível simplesmente não sorrir ao ver um motorista passar com um desses pequenos notáveis. Seja em um Mini Cooper 1977 ou um Moto Machine 1991, a pergunta é inevitável: “É confortável?”. A resposta o leitor pode imaginar e se não conseguiu, basta dizer que todos os motoristas de mini e micro carros são defensores vorazes de seus veículos.
“No mini você não entra, você o veste”, dessa maneira explicou Paulo Reisinger, que apresentou os modelos que desfilaram, o verdadeiro tamanho da paixão que norteia os amantes dos veículos pequenos. Mas engana-se que os mini carros são todos iguais. Cada um tem o seu estilo próprio. Foi exatamente isso que ficou notório no desfile. Nash Metropolitan 1960, Rovin 1948, Simca 1000 1962, Fiat Topolino 1946, Renault 4 CV 1950, também conhecido como “rabo quente”, além do clássico Mini Cooper 1986 do personagem inglês Mr. Bean e em todos os outros 30 modelos que passaram o que fica evidente é que a revolução tem tamanho sim.
“Os mini carros foram uma resposta da indústria inglesa para a antiga crise do petróleo. O mundo sofria uma recessão como a que hoje estamos prestes a sofrer através da crise de créditos nos EUA. Esses carros são pequenos, econômicos e com uma mecânica que dificilmente apresenta algum problema. São modelos para um mundo em crise, no qual os cidadãos precisam economizar”, explica o jornalista Boris Feldman.
A crise na qual se refere Feldman foi o epicentro da criação do mini carro, na década de 60, que surgiu a partir da crise do Oriente Médio, quando o então coronel Nasser, ao nacionalizar o canal de Suez, descobriu que poderia “aprisionar” o mundo com o controle das fontes de petróleo. Neste cenário, a indústria automobilística teve que se adaptar a situação. O que realmente aconteceu foi uma verdadeira revolução. “Do mini veio o Gol, o Ford KA e outros modelos. Uma nova crise financeira acaba de chegar ao mundo todo e os carros pequenos e baratos, que surgiram de outra crise, aparecem novamente como uma solução viável aos bolsos dos cidadãos e amantes de carros. O desfile de hoje foi sensacional também por esse motivo”, conta Feldman.

Meu nome é Gurgel

25 de out. de 2008




A maioria dos brasileiros sabe quem foi Che Guevara, mas não sabe quem foi Zumbi dos Palmares. A maioria dos brasileiros sabe quem foi William C Durant, criador da General Motors, mas não sabe quem foi João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. A partir desse pensamento que o jornalista Lélis Caldeira resolveu escrever um livro sobre a história do criador do Gurgel, o querido e genuinamente carro brasileiro. E foi após sair de uma noitada num bar em Campinas e se deparar com BR 800 estacionado na frente do seu carro que ele pensou: “Eu preciso contar essa história”. O resultado pôde ser visto na última AutoShow Veículos Antigos e Especiais, quando o escritor lançou oficialmente o Gurgel, um brasileiro de fibra (Editora Alaúde).
“Não havia local mais apropriado para lançar o meu livro. Estou orgulhoso que o espaço foi aberto”, disse Caldeira. Ao lado da exposição de 25 modelos de Gurgel do Clube Guerreiro, Caldeira explicou para a reportagem a importância daquele que é em sua opinião “um dos brasileiros mais visionários que o país já teve”. Atualmente debilitado pelo alzheimer, pouco é dado importância à figura de Amaral Gurgel. Num país que tem um povo apaixonado por carros é um fato estranho não conhecer a figura que apostou numa indústria automobilística 100% nacional: “O Brasil optou ao longo de sua história por investir em rodovias e não ferrovias. O irônico disso tudo é que o senhor Gurgel foi o único que entendeu a importância para o país em ter uma indústria própria. O começo e o final da fábrica do Gurgel coincidem com fatores históricos do Brasil, mas pouca gente percebe isso”.
Como o próprio Gurgel ressalta na obra de Caldeira, “só mesmo no Brasil alguém que já produziu 40 mil veículos ainda é chamado de sonhador”. Sonhador ou não, alguns fatos ressaltam a importância dessa história, que duraram exatos 25 anos. Se hoje vemos alguns especialistas em carros comentarem sobre veículos elétricos, saiba que o senhor Gurgel concebeu o primeiro modelo no país na década de 70. “O EcoSport é um modelo inspirado no Carajás, que traz uma carroceria de jipe, mas não é propriamente um jipe”, explica Caldeira.
Segundo o autor, o Brasil perde muito com a falta de conhecimento sobre essa personagem, uma espécie de “Dom Quixote”. O leitor que tiver em mãos o livro poderá perceber que Caldeira tem razão e motivos de sobra para ter produzido o livro. De uma personalidade forte, Gurgel era figura controversa, que era reverenciado por muitos e criticada por tantos outros. “Era uma pessoa que deixava clara a sua opinião sobre os caminhos para o progresso do país e isso incomodava muita gente. Aliás quem se incomodava, era porque sabia da capacidade empreendedora dele”, ressalta.
Dono de um BR 800, que custa no mercado R$ 3, 5 mil, Caldeira não se desfaz do seu querido veículo por nada: “É um carro adaptado para o trânsito das grandes cidades. Também é econômico (faz 18 km com um litro) e tem uma mecânica que dificilmente dá problemas”. O prefácio do livro traz um resumo para o leitor: “Gurgel sonhou, criou, produziu, empregou, vendeu, exportou e revolucionou. Gênio ou visionário?”.